domingo, 1 de dezembro de 2013

Doce Novembro...

Do barco vejo o sol ao nascer do dia,
parto de Lisboa numa manha fria.
Tento aquecer a alma com um liquido quente,
provindo de ervas que um dia
os nosso marinheiros trouxeram das índias...
Avisto gaivotas que sobrevoam
o Tejo em contra mão
e invejo a sua liberdade...
Na verdade não é a sua liberdade que invejo,
mas o facto de poderem sobrevoar esta cidade,
como que um ser privilegiado
que possui capacidade de observar
as belezas deste mundo
de um lugar sublime...
Abstenho-me por minutos de pensamentos
e concedo-me o privilégio
de ser, por momentos,
um ser descomprometido com a consciência...
Parto de Lisboa em um dia frio,
num doce e sublime Novembro.

A. Luz

domingo, 24 de novembro de 2013

primeira sensação de liberdade...

Lembro-me de uma borboleta que voava livremente,
lembro-me da primeira sensação de liberdade como gente.
Assim que atei a correia dos sapatos,
que escrevi o meu nome,
que cai da bicicleta quando não tinha apoios,
que dormi pela primeira vez com a luz apagada,
que fiz o primeiro amigo,
que gostei de alguém,
que fui primeira namorada,
Lembro-me de quando roubei palavras
para expressar o que sentia,
lembro-me hoje da primeira poesia,
da sensação
e do bem que me fazia…

A. Luz

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Porque nos tornamos tão de repente...

Quando tudo se escapa por entre os dedos,
quando a noite é um instante parado no tempo,
ouço o latido do cão, 
é verão e as crianças brincam na rua até tarde.
ouço vozes e ruídos,
zumbidos e o silêncio do vento.
Não me quero perder e ser 
um projecto falhado.
O que esperam de mim se nem eu
já espero algo...
Agonizante o momento da duvida e incapacidade,
o medo torna-me um ser cobarde.
Se os erros não são erros 
mas o que nos torna o que somos realmente,
porque nos tornamos tão de repente...

A. Luz


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Como que doidos sem loucura...

À medida que o sol repousava
O céu pintava-se de várias cores,
Deleitadas sobre um rio calmo,
Acariciado por um vento sossegado…
Falávamos da vida, do ser louco
e da loucura que é não se poder ser…
Quando se sabe da verdade
 e o porquê das coisas
é loucura pensar que se pode enlouquecer.
Ser-se louco é mais que ter em si loucura,
é  enlouquecer sabendo da realidade
e abstrair-se dela…
Como que doidos sem loucura
acabámos a conversa, beijámo-nos, amámo-nos
e sobre o Tejo vimos a noite chegar…

A. Luz

quarta-feira, 12 de junho de 2013

As palavras que não rimam...

Sobre mim um cansaço,
dos meus lábios saem
palavras ocas, mudas.
As palavras que não rimam.
Faço rimas frias,
não menos bonitas
apenas solitárias..
Deixo-me invadir pelo silêncio
para que possa observar
a beleza das palavras.
Hoje sou tinta sobre papel,
os versos são mudos
e os verbos,
surdos…

A. Luz

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Preta dor

Se tudo tem cor
Qual será a da dor?
Escura,
Latente,
Presente.
Não se faz desapercebida,
E quando ignorada
Abre ferida,
Não sara mas arde.
Dói em tudo quanto cabe..
Dói a preta cor
Dói a preta dor…
                 
                                     A. Luz

quarta-feira, 15 de maio de 2013

A hora do sono da insónia...


Apago as luzes, 
deitada sobre o dorso da inquietude,
fecho os olhos mas ele não vem…
está atrasado, é a segunda noite esta semana…
de voltas e voltas na cama, 
algo me chama,
é a insónia que me pede companhia,
queixa-se de falta de sono…
Será uma longa noite,
a mente não para e os pensamentos se repetem,
o corpo pede mas a mente rejeita.
São duas da manhã e continuo à espera,
a insónia queixa-se de falta de sono
e eu do seu abandono…
quero dormir mas sem ele é impossível,
o relógio marca as quatro horas,
está na hora do sono da insónia,
ele chega de mansinho,
aos poucos e aconchegados,
adormecemos agarrados…

A. Luz

sábado, 27 de abril de 2013

Autobiografia


Nasci,
Tive um nome,
que me foi dado Por uma mulher, a minha mãe.
Nos braços de um homem adormeci,
era meu pai, mas não sabia…
vim a descobrir aos 3 anos de idade,
se bem me lembro ia sentada nos seus ombros
todas as manhãs
até que chegássemos ao infantário…
aos 7 conheci a infância, fomos melhores amigas,
mas com o tempo perdemos contacto…
foi assim que tive o meu primeiro amor, a saudade
foi o meu primeiro amor…
Na adolescência,
fiz-me alegre diante dos meus amigos
muda diante a tristeza do meu lar…
era rechonchuda, embora jogasse bastante à bola
e praticasse todo o tipo de desporto…
fui livre enquanto pude, corria, saltava, brincava
e imaginava…
o meu mundo era o melhor mundo,
mas por vezes acordava e o que via ao meu redor
fazia-me chorar…
chorava sozinha, era mais fácil…
de pessoas enchi a minha vida
que corria sem se cansar…
À medida que o tempo passava
enchia-me de memorias,
as marcas deixadas por elas
não desapareceram…
Aos 17 saímos de casa,
eu, a minha mãe e os meus irmãos…
o meu pai? Ficou com a sua amada,
“pinga” era o seu nome e tirou-lhe tudo, menos a vida…
No ridículo da vida perdi o meu pai,
se é que o tive algum dia…
Fui muita coisa, ou melhor, quis ser,
Atleta, medica, modelo, artista, atriz,
piloto de avião, musico, poeta, escritora…
De todos,
consegui ser feliz,
mesmo em meia mágoa, tristeza e dor…
A minha cor é toda,
a minha pátria nenhuma,
o meu espirito livre…
a minha autobiografia,
talvez esta….

A. Luz

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Jogam-se os cravos...


Jogam-se os cravos como sinal
de desistência,
a liberdade nunca esteve
tão longe.
Ouve-se o povo cantar,
mas a voz cansada já não ecoa…
Pode ser o fim ou o início
de uma nova luta,
o povo que escuta
não morre, vive.
As espingardas estão enferrujadas,
é tempo de plantar,
é tempo de arear a terra,
é tempo de, juntos,
 cantarmos a liberdade.
Dêem-me verdade,
a água está prestes a secar,
já sinto a garganta coçar,
tragam a guilhotina
pode ser que seja feita justiça…
é içada a bandeira de cores
do cravo que guardei…
Felizmente há luar,
Felizmente há luar neste lugar


A. Luz

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Velhas almas


Divago por estas linhas
o que sinto,
velhas almas vagueiam
por este recinto…
olhares profundos e entristecidos,
corpos demasiado vividos,
afincadamente marcados,
cansados de percorrer
os caminhos da vida,
demasiado sentida,
em nada conhecida mas
em tudo vencedora…
Sinto em mim
uma velha alma,
talvez perdida, talvez caída,
talvez vencida por esta vida…


A. Luz

sábado, 13 de abril de 2013

Hoje há pressa...


Quem me dera ir à lua e
descobrir do que é feito o Homem,
pois de onde estou nada vejo, nada entendo…
Somos nós vida? Somos nós morte?
Ou fruto da sorte?
Jogados ao acaso neste mundo,
lutamos para viver e ser alguém
desde que saímos do ventre de nossa mãe…
É o Homem bom? É o Homem mau?
Se existe natureza, de qual
herdámos o pecado?
Será este o nosso fardo?
Para quem acredita no fado,
continue sentado à espera que
venha a morte,
pois ela baterá à porta…
Pega no que resta e começa,
pois Hoje há pressa…


A. Luz

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A pátria perdida

O dia se pôs e o grito já não se ouviu,
era a pátria perdida,
a democracia vencida,
a promessa esquecida..
São sonhos perdidos e esquecidos,
por um povo sofrido, agredido,
corrompido…
São gritos meus, teus, nossos
É o povo!
A pátria perdida
por um prato de comida,
uma esmola vencida,
por aqueles que “chop money”
do nosso país…
A pátria perdida,
a lágrima esquecida,
a democracia corrompida, engolida, destruída…
São sonhos meus, teus, nossos
Sonhos de um povo,
de um homem,
patriota lutador,
o poeta português,
aquele que ninguém decifrou
a mensagem que deixou…
O dia se levantou e consigo o nevoeiro
Será que é este o mensageiro?
Muitos dizem ser estrangeiro
mas aparenta ser apenas um forasteiro,
sem posses nem dinheiro,
carcereiro do passado
encontrou tudo alterado.
Cansado de tanto lutar
só pensava à sua pátria chegar,
mas esta não encontrou.
Então chorou…
Era a pátria perdida…

A. Luz







sábado, 30 de março de 2013

este mundo que nos segue...


Quem sabe um dia fujo contigo e vamos por ai,
para um lugar onde o coração pode viver são
Pois, neste mundo de ilusão
nem Dom Quixote de La Mancha conseguiu viver,
teve que perder-se em pensamentos
e na sua imaginação,
pois ela é quem nos faz voar sem ter asas,
sonhar sem ter sonhos e viver sem temer…
vivemos afogados em medos,
meios termos, segredos e formalidades.
Mas quem é livre não se prende a meias verdades,
segue sem medo de perder
pois sabe que não se pode perder
quando não se tem.
Se alguma coisa sei,
que nada se tem e tudo se perde,
e que complicado é intender
este mundo que nos segue…

A. Luz

domingo, 24 de março de 2013

sobre o corpo do tejo...


Outrora deitados no soalho de madeira
o sol aquecia as nossas faces,
o céu azul de brancas nuvens se vestia.
Pela noite a lua dormia sobre o corpo do tejo
que calmo suspirava maresia
A noite e o dia de diferentes
sensações nos enchia….
Somos os meninos desta cidade,
Lisboa,
que encanta e surpreende a cada respirar,
que junta rio e mar…
Somos os meninos que se encantam
ao ver uma gaivota voar mais alto,
somos os meninos querendo dar o salto…
Que seja eterna a sensação de eternidade,
que sejamos os meninos
querendo ser meninos desta cidade…


A. Luz

quinta-feira, 21 de março de 2013

noites sós...


Hoje é noite e o céu é negro.
O vento é seco e vem fraco,
são poucas as estrelas que vejo brilhar
e a lua parece minguar,
não é cheia nem nova,
a rua está vazia e silenciosa,
as arvores não se agitam e
parecem dormir…
nem sinal da gente,
nesta noite sou o único ser vivente,
sem nome ou terra.
O que me espera, nunca se sabe
O que espero, que esta noite acabe,
pois por essas noites sós
perdem-se pensamentos, matam-se sonhos…


A. Luz

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cerco-me de lembranças...


Cerco-me de lembranças
que me fazem- recordar do passado.
De quando descalços brincávamos nas ruas,
de quando a chuva não matava e
os papagaios enfeitavam o céu…
De quando a fruta era doce
e nos campos colhiam-se flores e
criavam-se  galinhas…
De quando eramos pobres mas felizes
pois o amor nunca faltou em nossa mesa…
De quando as canções eram da gente
e para a gente…
De quando o povo era um povo e
 a sua voz fazia-se ouvir…
De quando a criança tinha
liberdade de ser criança
e os jovens a liberdade de poder
ficar ou partir…
Recordo-me do passado, 
não com saudade mas,
com esperança de encontrar
o caminho mais acertado
para esse meu estado…


A. Luz

segunda-feira, 11 de março de 2013

Prefiro...


Prefiro que grites a que te cales,
prefiro  que chores a que me ignores…
Prefiro que acabes a que deixes levar,
prefiro partir que chegar…
Prefiro os dementes aos sãos,
prefiro o soneto da fidelidade à verdade…
Prefiro que acabe a que se esgote,
prefiro que me soltes a que me sufoques…
Prefiro a raiva à tristeza,
a amizade ao amor,
prefiro a cor ao incolor…
Prefiro mentir que sentir,
seguir a agarrar-me,
saber a enganar-me…
Prefiro amar que não saber amar...
Prefiro a ferida à morte,
a vida vivida e não a sonhada,
sem caminhos nem estradas,
princípio e fim...
Prefiro viver que morrer,
morrer que desistir,
Prefiro sorrir e seguir….

A. Luz

sexta-feira, 8 de março de 2013

Gosto dos dias chuvosos...

Gosto dos dias chuvosos.
São dias em que 
as ruas se esvaziam,
em que o silêncio se instala.
Gosto de quando as ruas vazias
enchem-se da melodia dos pingos
que caem pela calçada,
gosto do cheiro a terra molhada…
Ouvem-se os pássaros,
ouve-se a chuva,
ouve-se o vento ventar.
Ouve-se a natureza como
uma sinfonia profunda que
inunda o silêncio,
ouve-se o mundo atento…


A. Luz

terça-feira, 5 de março de 2013

No momento da mudança...


Não digas adeus antes da despedida,
diz antes até breve…
É no momento da mudança
que bate a insegurança, o medo,
a tristeza e a alegria.
Talvez haja desconfiança, mas também
curiosidade de ver e saber o que não se sabe…
A verdade é,
quebrámos e morremos.
É apenas no momento da mudança
em que nos vemos…
Talvez de outra perspetiva mudámos,
quem sabe…
Em tanta filosofia nos afogámos,
mas ainda há esperança
de que, no fundo,
sejamos salvos pela
lanterna dos afogados


A. Luz

sábado, 2 de março de 2013

Quem somos…


Sou aquilo que vejo,
a imagem refletida no espelho
e que envelhece enquanto o
tempo passa, a desgraça,
a juventude que se gasta e
marcha a cada tic tac…
Geração à rasca,
“ que maldição ser-se filho
 de um taberneiro e
ter de se perder a juventude
em busca de pão”
Quem somos se não
um ponto de interrogação
no meio de tanta exclamação…


A. Luz

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Em busca do meu ser…


Está frio,
a noite é de estrelas e de lua,
por uma rua vou caminhando,
não sei o nome nem o destino
mas não interessa,
não há pressa para se chegar….
Vou dando boas noites
a quem não conheço,
estranho seria se
perguntasse o endereço
vou em busca do meu ser
que quer ser, pensa ser
mas não sabe se é….

A. Luz

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Que se faça dia...


Porque nos deixamos levar e morrer no amor?
Porque nos deixamos envolver pelo medo,
melancolia e monotonia?
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….
Que corra o tempo, que corra
mas que por entre os dedos não me passe a vida
sem que a viva verdadeiramente…
se for possível que morra a viver
mas não a fingir que vivo…
que morra nos teus lábios,
nos teus braços de amigo…
há como queria!
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….
Que um momento não seja apenas um momento,
pois o tempo passa desapercebido como o vento…
Faço alegoria aos dias felizes,
não sei se são verdade ou imaginação minha,
pois  passam tão rápido,
tão rápido quanto a alegria…
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….


A. Luz

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O nosso tempo...


O nosso tempo é tempo
 que se esgota,
o nosso tempo é amar
é derrota…
O nosso tempo é mar,
é sol que se levanta pela manhã
e se põe pela tarde,
o nosso tempo é verdade…
O nosso tempo são os olhos
 que se abrem ao nascer e
que se fecham ao morrer…
O nosso tempo é viver,
é urgência a caminho de
envelhecer,
é a mágoa enternecida pela
vida,
é a memória jamais esquecida…
O nosso tempo é tempo,
o nosso tempo é vida…

A. Luz

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Padeço...


  
Padeço de sabedoria,
de mais anos,
mais estrada e chão…
Padeço de mais deceção, alegria,
dor, perdas e conquistas…
Padeço de mais histórias e vivencias,
da urgência que é viver,
padeço do medo de morrer…
padeço de saber quem sou,
de me ver chegar e partir…
Padeço da despedida e
do desejo da chegada…
padeço de tudo,
padeço de nada…


A. Luz

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tudo nos seus olhos...



Desespero e desencanto calejam
o coração do poeta,
que amou ferozmente a mulher
que os seus olhos encantou…
Tudo o agradou,
o sorriso, as mãos esvoaçantes
que acompanhavam a cada passo
o corpo violino,
o olhar timidamente sensual, os
finos lábios avermelhados, a pele
tão alva quanto a neve….
 Tudo o encantou,
tudo o fez estremecer,
tudo nos seus olhos era viver…
Pela noite enlouquecia,
pela manhã delirava,
o seu coração palpitava.
Paixão e loucura misturavam-se
com a amargura de saber que
o seu desejo não passaria de desejo,
correspondido nunca seria,
aquele corpo nunca teria…
Seria ingenuidade sua
pensar que aqueles lindos olhos
o pudessem enxergar?
Seria loucura almejar mulher
tão discreta e correta?
De certo não o seria,
caso essa mulher não fosse casada…
Tudo é sofreguidão, tudo é dor,
tudo é amor e desamor…
Do que fala a vida se não
de encontros e desencontros,
amores interrompidos,
histórias inacabadas,
talvez nunca iniciadas…
desejos frustrados,
amores roubados,
poetas cujos corações calejados
transbordam e inspiram
poesia.
Tudo nos seus olhos era vida…

A. Luz

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As flores do cais...



Enquanto deambulo
pelas estreitas largas ruas de Lisboa,
sinto o cheiro perfumado
das lindas flores que fazem
dela o que é….
Bela e velha cidade,
inspiras canções,
poesia, amores
romances, paixões…
Vista de diferentes formas,
por diferentes olhares,
és os  diferentes lugares,
as diferentes culturas,
as pessoas e não pessoas,
és o porto e o rio,
o velho e o mar,
as calçadas, as estreitas escadarias,
as igrejas e as marias,
o Joaquim e o José,
és o fado e o desfado,
és o olhar vidrado
dos que te enamoram,
és os três amigos sentados
num café brindando a vida,
és a gente dita lisboeta,
és a nata e o pastel,
és belém e além…
És o património dos filhos e futuros pais,
és tão bela quanto as flores do cais…
És a guitarra que te canta,
és o fadista que te chora,
és o antes e o agora…

A. Luz

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Palhaço malandro...



Sou palhaço malandro,
tudo me encanta e desencanta.
Um conto de desencantar
é do que vos vou falar…
Mesmo na beleza vi feiura,
mesmo na alegria vi tristeza.
Mesmo na esperança vi desesperança,
mesmo no regozijo vi dor.
Mesmo no amor o desamor
mesmo no encanto vi desencanto…
Há sempre o outro lado da moeda colega…
Do licor do amor embriago-me
esta noite, serena e quente,
céu cheio de estrelas,
mas a dor da minha gente
sinto-a nas veias…
Das altas casas, nos altos bairros 
ouço o som do berimbau,
imagino o gingar do negro, branco,
mulato…
A miséria e a dor criaram
o maior tesouro de um povo,
hoje velho, amanhã novo…
quem sabe de onde vem
alegria rodeada de tanta
dor e agonia?
Do trabalho se faz o homem,
homem bom e trabalhador,
pescador de terras quentes,
que vive para contar 
as suas histórias
de tristezas e glorias…
Sou palhaço malandro,
não minto, não sambo
mas amo a vida que faz
doer e nos alegra,
enche-nos de esperança 
e nos embriaga de dança …

A. Luz