Desespero e desencanto calejam
o coração do poeta,
que amou ferozmente a mulher
que os seus olhos encantou…
Tudo o agradou,
o sorriso, as mãos esvoaçantes
que acompanhavam a cada passo
o corpo violino,
o olhar timidamente sensual, os
finos lábios avermelhados, a pele
tão alva quanto a neve….
Tudo o encantou,
tudo o fez estremecer,
tudo nos seus olhos era viver…
Pela noite enlouquecia,
pela manhã delirava,
o seu coração palpitava.
Paixão e loucura misturavam-se
com a amargura de saber que
o seu desejo não passaria de desejo,
correspondido nunca seria,
aquele corpo nunca teria…
Seria ingenuidade sua
pensar que aqueles lindos olhos
o pudessem enxergar?
Seria loucura almejar mulher
tão discreta e correta?
De certo não o seria,
caso essa mulher não fosse casada…
Tudo é sofreguidão, tudo é dor,
tudo é amor e desamor…
Do que fala a vida se não
de encontros e desencontros,
amores interrompidos,
histórias inacabadas,
talvez nunca iniciadas…
desejos frustrados,
amores roubados,
poetas cujos corações calejados
transbordam e inspiram
poesia.
Tudo nos seus olhos era vida…
A. Luz