quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Em busca do meu ser…


Está frio,
a noite é de estrelas e de lua,
por uma rua vou caminhando,
não sei o nome nem o destino
mas não interessa,
não há pressa para se chegar….
Vou dando boas noites
a quem não conheço,
estranho seria se
perguntasse o endereço
vou em busca do meu ser
que quer ser, pensa ser
mas não sabe se é….

A. Luz

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Que se faça dia...


Porque nos deixamos levar e morrer no amor?
Porque nos deixamos envolver pelo medo,
melancolia e monotonia?
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….
Que corra o tempo, que corra
mas que por entre os dedos não me passe a vida
sem que a viva verdadeiramente…
se for possível que morra a viver
mas não a fingir que vivo…
que morra nos teus lábios,
nos teus braços de amigo…
há como queria!
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….
Que um momento não seja apenas um momento,
pois o tempo passa desapercebido como o vento…
Faço alegoria aos dias felizes,
não sei se são verdade ou imaginação minha,
pois  passam tão rápido,
tão rápido quanto a alegria…
Que se faça dia! Por favor que se faça dia….


A. Luz

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O nosso tempo...


O nosso tempo é tempo
 que se esgota,
o nosso tempo é amar
é derrota…
O nosso tempo é mar,
é sol que se levanta pela manhã
e se põe pela tarde,
o nosso tempo é verdade…
O nosso tempo são os olhos
 que se abrem ao nascer e
que se fecham ao morrer…
O nosso tempo é viver,
é urgência a caminho de
envelhecer,
é a mágoa enternecida pela
vida,
é a memória jamais esquecida…
O nosso tempo é tempo,
o nosso tempo é vida…

A. Luz

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Padeço...


  
Padeço de sabedoria,
de mais anos,
mais estrada e chão…
Padeço de mais deceção, alegria,
dor, perdas e conquistas…
Padeço de mais histórias e vivencias,
da urgência que é viver,
padeço do medo de morrer…
padeço de saber quem sou,
de me ver chegar e partir…
Padeço da despedida e
do desejo da chegada…
padeço de tudo,
padeço de nada…


A. Luz

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tudo nos seus olhos...



Desespero e desencanto calejam
o coração do poeta,
que amou ferozmente a mulher
que os seus olhos encantou…
Tudo o agradou,
o sorriso, as mãos esvoaçantes
que acompanhavam a cada passo
o corpo violino,
o olhar timidamente sensual, os
finos lábios avermelhados, a pele
tão alva quanto a neve….
 Tudo o encantou,
tudo o fez estremecer,
tudo nos seus olhos era viver…
Pela noite enlouquecia,
pela manhã delirava,
o seu coração palpitava.
Paixão e loucura misturavam-se
com a amargura de saber que
o seu desejo não passaria de desejo,
correspondido nunca seria,
aquele corpo nunca teria…
Seria ingenuidade sua
pensar que aqueles lindos olhos
o pudessem enxergar?
Seria loucura almejar mulher
tão discreta e correta?
De certo não o seria,
caso essa mulher não fosse casada…
Tudo é sofreguidão, tudo é dor,
tudo é amor e desamor…
Do que fala a vida se não
de encontros e desencontros,
amores interrompidos,
histórias inacabadas,
talvez nunca iniciadas…
desejos frustrados,
amores roubados,
poetas cujos corações calejados
transbordam e inspiram
poesia.
Tudo nos seus olhos era vida…

A. Luz

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As flores do cais...



Enquanto deambulo
pelas estreitas largas ruas de Lisboa,
sinto o cheiro perfumado
das lindas flores que fazem
dela o que é….
Bela e velha cidade,
inspiras canções,
poesia, amores
romances, paixões…
Vista de diferentes formas,
por diferentes olhares,
és os  diferentes lugares,
as diferentes culturas,
as pessoas e não pessoas,
és o porto e o rio,
o velho e o mar,
as calçadas, as estreitas escadarias,
as igrejas e as marias,
o Joaquim e o José,
és o fado e o desfado,
és o olhar vidrado
dos que te enamoram,
és os três amigos sentados
num café brindando a vida,
és a gente dita lisboeta,
és a nata e o pastel,
és belém e além…
És o património dos filhos e futuros pais,
és tão bela quanto as flores do cais…
És a guitarra que te canta,
és o fadista que te chora,
és o antes e o agora…

A. Luz

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Palhaço malandro...



Sou palhaço malandro,
tudo me encanta e desencanta.
Um conto de desencantar
é do que vos vou falar…
Mesmo na beleza vi feiura,
mesmo na alegria vi tristeza.
Mesmo na esperança vi desesperança,
mesmo no regozijo vi dor.
Mesmo no amor o desamor
mesmo no encanto vi desencanto…
Há sempre o outro lado da moeda colega…
Do licor do amor embriago-me
esta noite, serena e quente,
céu cheio de estrelas,
mas a dor da minha gente
sinto-a nas veias…
Das altas casas, nos altos bairros 
ouço o som do berimbau,
imagino o gingar do negro, branco,
mulato…
A miséria e a dor criaram
o maior tesouro de um povo,
hoje velho, amanhã novo…
quem sabe de onde vem
alegria rodeada de tanta
dor e agonia?
Do trabalho se faz o homem,
homem bom e trabalhador,
pescador de terras quentes,
que vive para contar 
as suas histórias
de tristezas e glorias…
Sou palhaço malandro,
não minto, não sambo
mas amo a vida que faz
doer e nos alegra,
enche-nos de esperança 
e nos embriaga de dança …

A. Luz