domingo, 30 de setembro de 2012

Momentos e instantes



Uma troca de olhares,
um silencio reconfortante
Do outro lado da sala
os teus olhos sorriram para mim,
como flores num jardim
que brotam e ao amanhecer
são acariciadas pelo sol que nasce
Instantes de puro prazer,
sem que as palavras fossem
necessárias dizer,
sem que os corpos se aproximassem
Apenas um olhar
lançado como uma seta
que traspassa o peito
do pobre ser,
que afeta o coração 
louco de emoção,
que rasga sem ferir
e nos faz sorrir
Momentos e instantes
que nos recordaremos
e nunca vivemos antes…

A. Luz

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quando acordo



E quando acordo, olhos pesados
mesmo antes de os abrir
imagino-me a sorrir.
Não necessito de nada para
me suster, de nada para me manter,
sou eu, apenas eu
corpo ,alma e espirito.
Quando adormeço tudo esqueço,
algemada à dita liberdade
criada pela minha mente,
descrente de tudo o que me rodeia,
vida, alegria, brincadeira…
De uma cosa sei, estamos todos condenados
à morte dos nosso corpos cansados…

A. Luz

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Adormeci



Adormeci e não mais acordei
deste sono profundo em que me encontro
No sono do esquecimento me perdi,
mentindo a mim mesma de que
não acordar seria a melhor opção.
Quase parei o coração.
Adormeci dentro de mim e para mim,
num estado de eterno repouso
para não viver as desilusões desta vida.
Que bom seria se acordasse e
No sonho ficasse…

A. Luz

Chapéu de lata




Conheci um homem,
um homem de gravata.
Fato amarrotado, remendado
com pequenos pedaços de tristeza,
o chapéu era de lata,
como a coroa do rei cujo reino
construído sobre um ferro velho
veio a enferrujar.
Vi-o andando lado a lado com a desgraça,
desgostoso pois a tristeza
para ele não passa…
Dizia ser a vida ingrata para consigo
e o milagre do ser humano um engano.
Proferiu palavras para o vento
mas não obteve resposta,
sonhava voar como uma gaivota
e ser livre por um dia
do seu chapéu de lata.

A. Luz

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Carta para ti




São dias, dias e mais dias
São noites, noites e mais noite
São horas, horas atrás de horas
Palavras apenas palavras
cheias de algo para dizer
cheias de significados
carregadas de sentimentos
desinteressados,
palavras que não esperam retorno
apenas o abandono
de quem as recebe
É leve o teu fardo pesado
maior o teu castigo por telas lido.
Como retornar se nunca fomos,
como voltar se nunca saímos
desta vida desinteressada...
Carta para ti
que a recebes com desdém
por não ser ninguém…

A. Luz

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como águas que não param de jorrar




Colocaste-me o mar nos olhos
e as lágrimas não mais puderam parar,
assim como águas que não param de jorrar,
como rios que não têm por onde desaguar
Colocaste-me um selo sobre o peito
as palavras perderam o efeito,
assim como a noite sem lua nem estrelas
promessas nem velas,
apenas a miragem
o rasto do que foi um dia
antes da partida da despedida…

A. Luz