domingo, 28 de outubro de 2012

O cântico dos pássaros



Ouvi o cântico dos pássaros
ao acordar,
o sol radiante rasgava o céu.
Depois da chuva havia um sol
que brilhava mais forte,
um cântico de sorte.
Um sol que parecia dizer
“estou aqui e agora  vou brilhar
com toda a força!”
um sol que não aquece
mas ofusca a visão,
um sol que inspira
uma canção,
um cântico de vida,
um cântico de liberdade,
um cântico de felicidade…
Ouvi o cântico dos pássaros
ao acordar
e desejara nunca acabar…

A. Luz

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Por detrás dos sorrisos esboçados



Por detrás dos sorrisos esboçados,
dos lábios calados
um pensamento se encontra.
Faz de conta que não existe
mais nada,
escrava dos pensamentos,
escrava do silencio.
Menina bonita,
olhar penetrante,
alma inquietante,
Mundo só e inquieto,
Cheio de afeto e desafeto,
feridas e não feridas,
verdades e mentiras,
estradas e caminhos
que levam a lugar algum…
Por algum tempo
ficarei afastada
mas não me tentes seguir,
pois isso não será possível,
retornarei quando poder.
O que se quer e não se quer
determina o Homem e a Mulher

A. Luz

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Cheira a pecado



O que satisfaz a vontade do ser,
o que nos faz morrer…
ser escravo e servir o pecado,
satisfazer a carne latejante,
que esmurra o ser com
 o seu desejo por satisfazer.
Querer e não querer,
desejar e não rejeitar,
falar e olhar.
Porque os olhos matam
o ser e caseiam a vontade,
acabando com a bondade,
alimentando a perversidade da mente
crentes de que a voz
do coração é boa,
caímos por lugares desamparados
onde impera o pecado…
cheira a pecado,
cheira a pecado por todo o lado!

A. Luz

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Um saudável enfermo



vi-o desfalecer cego e surdo,
um saudável enfermo.
O sangue que corria nas veias
era como gotas de chuva fria.
Olhos inexpressivos,
a sua voz nunca ouvira,
um silencio que agonia.
Travava dentro de si
uma guerra silenciosa
que coisa desgostosa..
Era novo o rapaz e
já sofrera assim por amor,
“já ninguém morre de amores”
diz o povo,
mas quem andava
encostado às cordas
era ele..
Que coisa ridícula,
sentira-se um morto vivo
por não ser correspondido…

A. Luz

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O relógio não se magoa



o tempo não perdoa,
não sente, não chora,
não muda, não tem pena,
não se prende ele é solto.
Deambula por ai
sem destino nem fim..
O tempo não tem idade
ele é por toda a eternidade.
É o inimigo da vida,
o amigo da morte
para o tempo não existe sorte.
Sem cor nem odor,
forma? Talvez
o relógio!
quem o fez?
Não há duas sem três..
O relógio não se magoa
pois com ele o tempo ecoa..

A. Luz

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A valsa ao som do vento



Por momentos pensei ser uma luta
entre a ave e o vento,
que ventava sem cessar,
A gaivota planava e rodopiava
de um lado para o outro,
o vento a embalava como
o noivo que conduz a noiva
da primeira à ultima dança,
a valsa ao som do vento.
Via que a gaivota
não parava de planar,
como se não conseguisse pousar.
Parecia que uma força a pressionava
mas não, apenas dançava.
Era uma bela dança
diga-se de passagem,
fez-me lembrar quando
em criança o meu pai
ensinava-me aquela dança,
um pé em cima de outro pé…
girava, girava e não me cansava..
Deixava-me envolver pela magia
de se ser criança,
assim como a gaivota
pela leveza do vento que dança…

A. Luz