domingo, 29 de abril de 2012

Somos tudo e nada


 Somos o esboço do perfeito Deus,
a madre ferida de Maria,
o rosto de Judas, as lágrimas de Pedro.
Somos a alegria dos nossos pais,
o desgosto dos nossos filhos.
Somos a alegria da vida,
a tristeza da morte,
o grito desesperado,
o sorriso apertado.
Somos a marca da humanidade,
a mão que a destrói.
Somos o sorriso da criança,
a lágrima que a corrói.
Somos o pó que pisamos,
o vento que respiramos.
Somos as palavras do poeta,
o que lhe afeta.
Somos as linhas da vida,
o ponto de partida.
Somos a alma que brilha,
a luz que se apaga,
Somos tudo e nada.
Somos o que somos
Somos nós!

A. Luz

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Palavras que dançam


Palavras que dançam
são as palavras que saem da tua boca,
em ti tudo dança,
há uma esperança no teu olhar,
no teu falar…
A suavidade como dizes e
sentes as coisas
transforma o desfigurado,
desfigura o concreto.
De certo não é imaginação
nem do meu coração.
Seremos eternos amantes
desta canção.

A. Luz

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Eu vivo à espera


Eu vivo à espera da promessa feita
aos nossos antepassados,
maltratados, escravizados, 
escorraçados…
Eu vivo à espera da liberdade, 
igualdade e fraternidade.
Eu vivo à espera que renasça a chama 
deixada por aqueles que
por mim lutaram, por ti choraram e 
que por nós morreram…
Eu vivo à espera da promessa feita e 
da democracia perfeita…
Eu vivo à espera que se dê o grito 
do Ipiranga…
Eu vivo à espera do cravo colocado
na arma do soldado…
Eu vivo à espera que o líder se cala e 
que o povo fale.
Eu vivo à espera…

A. Luz

sábado, 21 de abril de 2012

Impossível não pensar


E agora que se faz dia
perco-me em pensamentos,
uns mais claros que outros,
alguns puros
outros não me ligam a
coisa alguma.
Impossível não pensar 
em terra de doidos.
Gostaria que nos tratassem com
algum respeito e dignidade…
em terra de malucos
a única doença é a sanidade.
 
A. Luz

terça-feira, 17 de abril de 2012

Longa noite


De noite penso,
de noite sonho,
de noite inclino a minha cabeça
e  adormeço.
Do que padeço esta noite,
viro-me do avesso
e não encontro.
O dia acabou e
nesta noite não descanso
apenas me lanço
aos pensamentos mais
confusos e reclusos.
A noite quer de mim
o que de mim mesma
não posso dar,
e por mais longa que sejas
terás de acabar.
Longa noite

A. Luz

Simplicidade


Senta aqui que hoje eu vou contar
como tudo começou.
Não é nada de mais
apenas um bom rapaz,
homem comum 
de idade madura
tudo o que procura
viver a vida sem amargura.
Apenas segura na mão
um pedaço de pão
e o come confortado,
pois sabe que amanha
haverá mais.
Há sempre mais
para quem procura simplicidade
nesta cidade
Lisboa

A. Luz

domingo, 8 de abril de 2012

Cantar a juventude


Suspiros de vida, rosto cansado
quase que apagado,
voz roca
cansada de tanto gritar
apenas a morte a pode calar.
Em miúdo sonhava,
em moço realizava,
em velho lamentava.
Breve juventude
com atitude cantamos-te,
com fulgor levamos-te,
em nada honramos-te,
porque és breve e ilusória.
Por essa vida que me espera
irei cantar a juventude e
contar a nossa história.

A. Luz

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A vida é apenas vaidade


Vou ao teu encontro
não te desesperes.
Os dias não são mais longos
nem o tempo passa devagar.
O desespero faz de um segundo
uma eternidade.
A vida é apenas vaidade

A. Luz

Enquanto o mundo enlouquece


Pouco a pouco vou-me desenrascando.
Enquanto o mundo enlouquece
nada se esquece
mas tudo esmorece.
A loucura é a pior doença,
a dor
a cura que ninguém pensa…

A. Luz