terça-feira, 20 de janeiro de 2015

As palavras

Livre o pensamento, o ajuntar palavras
apenas um momento.
Ao som da liberdade
escreve-se a verdade crua
e despida de preconceitos.
As palavras que percorrem o caminho
das linhas, dos espaços brancos
rasgam-se em encantos,
são lidas com espantos,
saboreadas com sabor e dissabor,
lançadas com amor e desamor.
Cuido para que não perca o medo das palavras,
pois com ele vem o respeito
para que não se tornem vagas, ocas,
poucas, sem efeito...
Corro atrás do tempo que não volta,
daquilo que pouco importa,
vejo-me  solta e morta,
mergulhada em palavras, encharcada
em sentimentos,
desvairada em momentos...
Vejo-me viva,
nas verdadeiras palavras
por ti criadas,
no encontro entre
duas almas apaixonadas.
Encontro-me e agora vejo,
que tudo o que escrevi
foram palavras que um dia senti.

A. Luz

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O nevoeiro

O nevoeiro que engole a cidade de Lisboa
faz lembrar o seu passado.
De um rei que foi para a guerra
e por lá ficou,
Dos mitos e heróis,
De um povo encurralado,
obrigado a navegar,
atravessar o mar da duvida e do medo.
No desespero nasceu a coragem,
a bravura e esperança.
Mas a era da bravura torna-se passada
para um povo cujo medo se alastra
diante uma geração que se arrasta.

A. Luz