Saio da fluvial do Barreiro e
Deixo as pequenas praias de areia escassa,
Acariciadas pelas águas doces do rio.
Contemplo as chuvas que atiradas
Do céu cinzento beijam
os barcos atracados no cais.
O meu já lá vai
E avista Lisboa,
Linda,
que de braços estendidos
Acolhe a minha chegada.
Tenho a alma embalada pelo balançar
Do barco que percorre o corpo do Tejo.
A chuva acabou de cessar e
O nevoeiro parece que veio para ficar.
A neblina mistifica a esplendorosa cidade,
Cobre os telheiros e as chaminés,
Faz desaparecer a outra margem,
Já não avisto as praias nem a areia.
O embate no cais faz com que pare a poesia.
De volta à realidade,
Sem perder a fantasia...
A.Luz