terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Um quase romance...


Um quase toque, um quase beijo,
um mero desejo e nada mais…
Dois corpos sonhado tocar-se,
entrelaçar-se como as mãos
de dois amantes ao caminhar
pelos campos…
perdem-se os encantos
quando o desejo não é correspondido,
unido apenas pelo calor dos corpos
quase mortos de cansaço ,
aconchegados por um abraço
caloroso e suado…
Corações exasperados
o dos apaixonados.
Dramatizados pela juventude
dos seus sentimentos
intensamente vividos,
tragicamente sentidos…
fervorosamente relatados
por poetas apaixonados
por palavras e
o encanto da sua força…
Um quase romance,
uma quase história
Um quase Romeu e 
uma quase Julieta…


A. Luz

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Marcas no tempo



São marcas no tempo
o que deixo para traz,
o meu passado,
 as minhas lembranças
boas ou más,
são marcas no tempo…
Marcas que se vão apagando
à medida que vou caminhando.
Vou-me afastando
do que realmente importa…
O presente e o passado
entram pela mesma porta.

A. Luz

domingo, 25 de novembro de 2012

Dias tardios



É tarde, do meu quaro
 fechada entre quatro paredes
penso na vida,
tento achar resposta
para o que não tem..
Penso em mim,
no que sou, no que faço
penso em mais alguém..
Os dias são tardios,
as noites contam-se
pelos dedos.
Entre quatro paredes
ficam-se os segredos,
os pensamentos suspensos,
as ideias jamais contadas,
as histórias nunca faladas…
As perguntas por responder,
o desejo de viver…
As cartas por enviar
e o desejo de as entregar…
O som do vento lá fora,
a ideia das ruas vazias,
da noite triste sem luar,
a agonia da voz que
não pôde falar…
Os dias são tardios,
no quarto as horas
custam a passar…
se ao menos o falar
me pudesse ajudar…

A. Luz

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mudei

Mudei com o tempo,
Com a espera,
Com a dor e a alegria.
Mudei por fantasia, por agonia.
Mudei pelas situações,
lutas e confissões.
Mudei sem mesmo perceber
nem intender o porquê
de tanta mudança…
talvez por insegurança,
não sei…
O que sei se ainda
sou uma criança…
Procuro na mudança
o caminho para a esperança.
E ainda que haja mudança em mim,
há esperança de que
não me perca pelo caminho…

A. Luz

sábado, 17 de novembro de 2012

Olhos de fome



Um olhar esgazeado,
traje esfarrapado
Um  corpo quase que inexistente,
um bocado de gente…
Pele negra,
pés descalços,
cabeça rapada…
Tinha um andar débil
de quem não vira pão
nem água,
tão pouco um tostão…
Com o estomago
 colado às costas
caminhava à beira da estrada.
A terra batida levantava poeira
que o fazia chorar.
Rezava para que a dor
pudesse passar
e a mãe o viesse buscar…
menino de rua,
um alguém vagabundo
que com olhos de fome
enxergava esta mundo…

A. Luz

domingo, 11 de novembro de 2012

Mãe de todos os povos



Por segundos perdi-me por ai,
deixei cair o semblante,
outrora radiante,
enfrente à multidão
Respirei fundo,
contei até dez e
levantei-me do chão
Não tenho nada para oferecer,
nunca tive…
A verdade é,
não sei viver uma vida
de verdade
em um mundo
de mentira…
falsidade com falsidade
se paga
São essas as moedas
da Praga,
Mãe de todos os povos,
idolatrada por homens,
meros homens
pensando ser Deus,
falsos ateus,
escravos querendo escravizar
Um dia tudo isso
terá de acabar
e sereis arrastados,
arrastados pelo mar…

A. Luz

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Vozes de África



Ouvi o latido do cão branco,
o ranger dos dentes brancos
do homem negro,
o grito da mãe que
não pode dar o peito ao filho,
a criança que não teve infância.
A morte dos que
não chegaram a ser
e dos que se viram morrer…
ouvi o grito profundo
do outro lado do mundo.
O grito de sangue,
o som das correntes escravas,
o gemido e a lágrima contida,
a terra ferida,
pisada e massacrada,
o soar das vozes
jamais caladas,
o sangue jorrado
nunca cessado.
Hoje ouvi o cântico
de um povo,
Hoje ouvi
as vozes de África

A. Luz