sábado, 30 de março de 2013

este mundo que nos segue...


Quem sabe um dia fujo contigo e vamos por ai,
para um lugar onde o coração pode viver são
Pois, neste mundo de ilusão
nem Dom Quixote de La Mancha conseguiu viver,
teve que perder-se em pensamentos
e na sua imaginação,
pois ela é quem nos faz voar sem ter asas,
sonhar sem ter sonhos e viver sem temer…
vivemos afogados em medos,
meios termos, segredos e formalidades.
Mas quem é livre não se prende a meias verdades,
segue sem medo de perder
pois sabe que não se pode perder
quando não se tem.
Se alguma coisa sei,
que nada se tem e tudo se perde,
e que complicado é intender
este mundo que nos segue…

A. Luz

domingo, 24 de março de 2013

sobre o corpo do tejo...


Outrora deitados no soalho de madeira
o sol aquecia as nossas faces,
o céu azul de brancas nuvens se vestia.
Pela noite a lua dormia sobre o corpo do tejo
que calmo suspirava maresia
A noite e o dia de diferentes
sensações nos enchia….
Somos os meninos desta cidade,
Lisboa,
que encanta e surpreende a cada respirar,
que junta rio e mar…
Somos os meninos que se encantam
ao ver uma gaivota voar mais alto,
somos os meninos querendo dar o salto…
Que seja eterna a sensação de eternidade,
que sejamos os meninos
querendo ser meninos desta cidade…


A. Luz

quinta-feira, 21 de março de 2013

noites sós...


Hoje é noite e o céu é negro.
O vento é seco e vem fraco,
são poucas as estrelas que vejo brilhar
e a lua parece minguar,
não é cheia nem nova,
a rua está vazia e silenciosa,
as arvores não se agitam e
parecem dormir…
nem sinal da gente,
nesta noite sou o único ser vivente,
sem nome ou terra.
O que me espera, nunca se sabe
O que espero, que esta noite acabe,
pois por essas noites sós
perdem-se pensamentos, matam-se sonhos…


A. Luz

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cerco-me de lembranças...


Cerco-me de lembranças
que me fazem- recordar do passado.
De quando descalços brincávamos nas ruas,
de quando a chuva não matava e
os papagaios enfeitavam o céu…
De quando a fruta era doce
e nos campos colhiam-se flores e
criavam-se  galinhas…
De quando eramos pobres mas felizes
pois o amor nunca faltou em nossa mesa…
De quando as canções eram da gente
e para a gente…
De quando o povo era um povo e
 a sua voz fazia-se ouvir…
De quando a criança tinha
liberdade de ser criança
e os jovens a liberdade de poder
ficar ou partir…
Recordo-me do passado, 
não com saudade mas,
com esperança de encontrar
o caminho mais acertado
para esse meu estado…


A. Luz

segunda-feira, 11 de março de 2013

Prefiro...


Prefiro que grites a que te cales,
prefiro  que chores a que me ignores…
Prefiro que acabes a que deixes levar,
prefiro partir que chegar…
Prefiro os dementes aos sãos,
prefiro o soneto da fidelidade à verdade…
Prefiro que acabe a que se esgote,
prefiro que me soltes a que me sufoques…
Prefiro a raiva à tristeza,
a amizade ao amor,
prefiro a cor ao incolor…
Prefiro mentir que sentir,
seguir a agarrar-me,
saber a enganar-me…
Prefiro amar que não saber amar...
Prefiro a ferida à morte,
a vida vivida e não a sonhada,
sem caminhos nem estradas,
princípio e fim...
Prefiro viver que morrer,
morrer que desistir,
Prefiro sorrir e seguir….

A. Luz

sexta-feira, 8 de março de 2013

Gosto dos dias chuvosos...

Gosto dos dias chuvosos.
São dias em que 
as ruas se esvaziam,
em que o silêncio se instala.
Gosto de quando as ruas vazias
enchem-se da melodia dos pingos
que caem pela calçada,
gosto do cheiro a terra molhada…
Ouvem-se os pássaros,
ouve-se a chuva,
ouve-se o vento ventar.
Ouve-se a natureza como
uma sinfonia profunda que
inunda o silêncio,
ouve-se o mundo atento…


A. Luz

terça-feira, 5 de março de 2013

No momento da mudança...


Não digas adeus antes da despedida,
diz antes até breve…
É no momento da mudança
que bate a insegurança, o medo,
a tristeza e a alegria.
Talvez haja desconfiança, mas também
curiosidade de ver e saber o que não se sabe…
A verdade é,
quebrámos e morremos.
É apenas no momento da mudança
em que nos vemos…
Talvez de outra perspetiva mudámos,
quem sabe…
Em tanta filosofia nos afogámos,
mas ainda há esperança
de que, no fundo,
sejamos salvos pela
lanterna dos afogados


A. Luz

sábado, 2 de março de 2013

Quem somos…


Sou aquilo que vejo,
a imagem refletida no espelho
e que envelhece enquanto o
tempo passa, a desgraça,
a juventude que se gasta e
marcha a cada tic tac…
Geração à rasca,
“ que maldição ser-se filho
 de um taberneiro e
ter de se perder a juventude
em busca de pão”
Quem somos se não
um ponto de interrogação
no meio de tanta exclamação…


A. Luz