sábado, 20 de setembro de 2014

O esquecimento

O esquecimento é inevitável,
a não ser que nos façamos lembrar.
À medida que o tempo escorre
pelas paredes do infinito,
o Homem procura viver a sua
eternidade o quanto pode.
É inevitável o esquecimento da primeira
palavra dita ou da primeira lágrima.
O ser humano dá provas de que é inevitável
o esquecimento das primeiras coisas,
instantes, sensações pois,
tudo se torna primeiro à medida que
o tempo passa se o primeiro é esquecido
quando permanece demasiado tempo
no tempo sem ser lembrado.
Por vezes acabamos por nos esquecermos
de nós mesmos, não porque queremos
mas por nos deixar-mos.
Quando nos deixamos e vivemos outras vidas,
permanecemos no erro,
mentimos, traímos, julgamos e nos acomodamos,
corroemos o nosso ser,
matamos tudo o que um dia fomos por instantes
e que por várias razões ou circunstâncias
deixámos de ser.
Quando o Homem perde a humanidade
de pouco valem as suas leis.

A. Luz

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Hoje já não chove

Hoje já não chove.
Ouço o Inverno chegar de mansinho,
pequenas chuvas, gotas que se derramam pelo chão.
Cheira a terra molhada.
Sinto o cheiro do Inverno enquanto caminho,
as gotas de orvalho enchem a vegetação lisboeta,
o sol espreguiça os seus longos braços
estendendo os seus cabelos dourados
pelo horizonte, que estendido goza
de perfeita alegria e deleite.
Os passeios escorregadios fazem abrandar
a correria na cidade,
brilhando o sol brilham também
as faces acinzentadas do povo.
São boas as chuvas d' Inverno,
que lavam as ruas,
limpam as calçadas e
banham as almas.

A. Luz