quinta-feira, 29 de março de 2012

Alma inquietante


Apazigua ó alma inquietante,
realça a beleza do ser que habitas.
Não chores a memória dos mortos
mas a vergonha dos vivos.
Sonho habitar nas entrelinhas
do teu ser,
não te deixes morrer
antes que vivas verdadeiramente.
Descrente.
Não culpes a tua mente
mas o ser doente
que habita em ti.
Olharás para o céu e
não haverá mais véu,
apenas o réu
lançado e massacrado
por ti julgado

A. Luz

Fúria da manhã


Acordo mais um dia
o tempo parece ter adoecido,
olho para o céu e imagino
que acima do cinzento
um azul imenso se encontra.
Faço de conta
que não chove lá fora
nem dentro de mim.
Na fúria da manhã me encontro,
dou um desconto  
às pessoas lá fora,
parece que ninguém colabora.
Faces cinzentas e inexpressivas,
bocas celadas, vozes caladas.
País morto por desgosto,
Na minha boca um gosto
que gosto...

A. Luz

domingo, 18 de março de 2012

Nada



Somos jovens cheios de felicidade,
vida e bondade…
Em toda a minha mocidade
procurei pela minha verdade,
pois a minha felicidade 
estava na verdade que criei.
De veras encontrei
pedaços de nada pela minha caminhada.
De nada em nada
construi o que sou,
em nada me dou
pois do nada sou.
E o que agora vejo desejo,
que de bocados de nada
o nada não se perca
por essa gelada madrugada.

A. Luz

Levadas pelo vento



Vejo, sinto, ouço mas já se foram
as memórias de uma vida passada,
as marcas ainda lá estão,
 no entanto
a velhice já não me deixa enxergar
com clareza e nitidez
estas doces amargas lembranças,
de uma velha criança
que esperava que o tempo
fosse mais longo e brando,
mas não o é.
O tempo esfomeado
 corre ao encontro do novo
que um dia será velho.
As memórias varrem-se
da minha mente,
o vento sopra trazendo-as consigo.
Por breves longos instantes
faz-me recordar o que era antes.
Memórias são memórias.
Levadas pelo vento

A. Luz

domingo, 11 de março de 2012

Recordar



Recordar-me do momento em que nasci,
recordar-me do momento da minha morte,
só por  sorte…
De sorte não me recordarei de nada,
apenas da vida levada.
Porque da vida não espero nada,
a não ser de mim mesma.
Por ora vivo sem remorso,
pois o nascer e o morrer
são certos
e o viver incerto

A. Luz

Gritam guitarras



Os dedos calejados fazem-nas gemer,
tremer, gritar..
Gritam guitarras em todo o lugar.
Não as podemos calar,
são a expressão da nossa alma.
Alma lusitana,
agonizante o teu choro gritante.
Gritam guitarras pelas ruas da Alfama,
não  te deixes na cama
ó povo Português!
Levanta-te ó gigante dos mares,
O fado nos levará a algum lado,
não fiques calado,
faz ouvir a tua voz.
Nem que estejam todos contra nós
Continuarão a gritar,
guitarras neste lugar…


A. Luz